A Cor do Som

 

Não, não vim aqui pra falar do grupo homônimo sucesso no fim dos 70, início dos 80, com Dadi, Mu, Armandinho. Vim pra falar de outros que iguais a esses, sabem q música não tem cor, quer dizer, tem sim, todas.E essa idéia veio de cantarolar My Funny Valentine “sonhando” com a voz  áspera, cinza chumbo do Chet Baker, claro. Que levou à interpretação da Madeleine Peyroux  (segundo alguns, eu inclusive, a versão mais branca da Billie), daí à Diana Krall que ouvi hoje no rádio cantando Black Crow da Joni Mitchell. Então foi difícil não pensar na versão ao vivo da Joni , com o Michael Brecker e a cor do seu saxophone, ( e com as cores e tons do Jaco, Pat  que merecem espaço exclusivo ),e vem o sax  do Stan Getz e a voz do João Gilberto que é doce mas menos melodiosa que a da filha, Bebel, que chamava seu avô, o Sérgio Buarque de Holanda, pai do Chico, de Papioto  (essa aprendi outro dia com o Daniel Daibem, da Eldorado FM). O Chico é um branco de olhos verdes (ok, meninas, e que olhos né?), como em Verdura do Paulo Leminski na voz do Caetano, que chama de azul-verdejante a Lua do São Jorge, e viaja no seu trem das cores dentro da estrela azulada, não tão azul como o corpo de Krishna. E assim fico com o coração na Índia, os pés na África, a cabeça sei lá onde, e o conjunto todo aqui em São Paulo, no Brasil, lugar bom demais de matizes inimagináveis, e  na ausência, a cor é branca. O resto você já sabe... bjs _II_

 



Escrito por amita às 23h41
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Kronos by Lucas

 

Têm gente que é músico desde antes de nascer, né?Independente de vir de família musical, de pais profissionais da área ou não, têm gente que fala essa língua por princípio. É o caso do Lucas, um amigo muito jovem que entrou na minha por um outro amigo-irmão-de-memória, não tão jovem, pai dele. Lucas é um cara raro, com ouvido raro, e sensibilidade acima da média pra uma série de coisas. Companhia em alguns shows como Uakti, Flora e Airto Moreira, Monges Budistas. Toca violoncelo, instrumento escolhido por livre e espontânea vontade. Através dele constrói seu mundo nas trilhas de outros meninos do som como Yo-Yo Ma, cujos DVDs me emprestou com tanta generosidade, o Kronos Quartet, sobre quem ele disse algo como “ música não precisa ser difícil pra ser legal”. Se um dia preferir não tocar mais, ou optar por outro instrumento, outra clave, Lucas será sempre feito de sons. E pra mim, sempre em acorde maior, porque sou sua fã maior (pai,mãe e irmã não valem, né?) bjs _II_

 



Escrito por amita às 14h15
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Wild Bowie

 

 

David Bowie tem sempre uma surpresa, uma revelação mágica. Dias atrás na mídia promovendo um concurso de mash ups  de  suas músicas antigas com as do mais recente Reality. Ou em 1976 com Station to Station,quando abole personagens, e aparece em tom desesperado, de súplica, sem alma, nem fígado ou pâncreas, nem brilho ofuscados por tantas carreiras de pó .Impossível ouvir seu cover de Wild is The Wind e não ficar arrepiada até o último fio de cabelo, sentindo frio na nuca causado pela voz absolutamente angustiada. Apesar de causa acidental, faz sentido ele ter um olho azul e o outro verde-cor de mel. Camaleão, dizem alguns, muito adequadamente por sinal. Bowie não é um comum, nem previsível, se reinventa todo dia. bjs _II_.

 



Escrito por amita às 09h06
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Devotion

 

Passou o estranhamento e todas as baterias foram recarregadas, trazendo aquele bilhão de coisas ao mesmo tempo, agora, já na minha cabeça pensante. Então me pego pensando no Courtney Pine, em quando o ouvi pela primeira vez em 1984, a segunda, a terceira, quando passei a virada de 2000/ 2001 num clube de jazz onde ele e a banda tocariam. Um show sensacional, de chorar, de fazer reverências e prostrações.O Courtney tem um mega carisma, sorri tocando, pode? E quando faltava 1 minuto pra meia-noite, ele pára tudo, pede pra todo mundo ficar em silêncio e sintoniza pra gente ouvir as 12 badaladas do Big Ben juntos. Daí continua o som no maior gás! Esse cara  é demias, tem um fôlego  impressionante! Fico quase cianótica só de pensar!! Ele faz escalas in-ter-mi-náveis- de uma vez só  É muito lindo ver o crescimento de um artista que desde cedo tem tanto talento. que vc pensa impossível ficar melhor. No caso dele, mais que possível dá muito orgulho. Não sou amiga dele, ele nem sabe que eu existo (o que é uma pena, né? rsrs) mas qdo vc é íntima , cúmplice do som de alguém, se sente orgulhosa e parte do seu progresso. Tenho uma relação assim com muitos músicos que me emocionam com sua notas e acordes E com não músicos também! Toca aí ! bjs _II_

 



Escrito por amita às 14h25
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People are strange

 

Às vezes ouço relatos sobre o sentimento de estranheza. De não reconhecimento de si mesmo, de dificuldade de identificação com o próprio corpo, com o discurso, com o pensamento, com o relacionar-se com o mundo. Essa estranheza pode ser causada por  droga, lícita ou não, por transtornos psiquiátricos. Mas nunca é sentida como uma experiência boa, que te faz sentir flutuando, como numa good trip .Vai por mim. Estou aqui falando de coisa séria, que dura muito mais do que se imagina ou se quer, alguma coisa sobre a qual  vc não tem poder. Não é meu caso. Mas confesso que tem momentos que me sinto assim, meio que fora de mim, fora do ar, como num split rápido a vivência do Eu e do Nada. Deve ser pra descarregar a bateria que atinge o nível acima do ótimo e retomar zerada, pronta pra próxima. O fim de semana foi um pouco isso. E People are strange não saiu da minha cabeça. Quem sabe esse post é o que restava pro ponto final....Boa segunda ! bjs _II_.

 



Escrito por amita às 08h40
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Hoje é dia de Jorge

 

Salve Simpatia!!

Voa bem alto, Jorge,

Traz uma estrela pra sua Mahal,

Jóia do palácio,

Do Dragão nem precisa me salvar.

Que sou Tigre

Shah Jahan no seu cavalo

Faz festa animada

Pra sua princesa Mumtaz,

Que maravilha !

Saravá!

Namaste _II_

 

bj_II_



Escrito por amita às 17h34
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Hi there, Mingus !

 

The sweetest swinging music man had a porkie pig hat on” fica sempre tocando na minha cabeça de be-bop-be-bop. Nada fácil de cantar, um passeio com a voz que exige muita atenção da minha parte, muita afinação mesmo.Sou nada perto da Joni Mitchell, minha musa branca que não teve medo de escrever essa letra  pro grandioso e monumental Charles Mingus.Não só essa letra como todo um projeto pra ele, sobre ele,Mingus (1979) músico fundamental do be bop, que não teve tempo de ouvir como ficou sensacional. E todo mundo quis participar, uma homenagem dessa, um honra! Jaco, Herbie Hancock, Wayne Shorter,Peter Erskine, Don Alias, e o própio Mingus na voz. O album abre com Happy Birthday, de presente pra ele. Lindo!! Joni  regrava Good Bye Pork Pie Hat no Shadows and Light (1980). Mais lindo ainda. E acabei de saber que hoje seria aniversário do Mingus. Tinha que postar, né? bjs _II_

 



Escrito por amita às 15h41
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Só por um segundo

 

Gosto também de letras.Tarefa difícil essa de palavrear música com propriedade.Não sou capaz disso.Algumas me pegam de surpresa, como um soco no estômago,Numa sensação de revolução silenciosa, o único som é o do suspiro do meu diafragma, o coração nem bate, fica em stand by. Cupido (Cláudio Lins, filho do Ivan) me “atrapalha” desde a primeira vez. Já faz parte da minha história. Ouvi com a Maria Rita, (não me peça pra falar dela agora, não hoje), com arranjo do Tom  ‘Il” Capone, Marco da Costa, Tiago Costa e da própria MR, ao vivo com o baixo luxuosíssimo do Silvinho Mazzuca.Não estava esperando por aquilo, fiquei atordoada. Ana, E.rica também, no mesmo tanto.Corações masculinos igualmente, mesmo que não demonstrem publicamente, uma pena. Mas aqui entre nós, pensa só por um segundo e me diz se você nunca passou por isso.? bjs _II_

 

 

Eu vi quando você me viu
Seus olhos pousaram nos meus
Num arrepio sutil

Eu vi, pois é, eu reparei
Você me tirou pra dançar
Sem nunca sair do lugar
Sem botar os pés no chão
Sem música pra acompanhar

Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu

Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril

Eu vi, pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra eu que pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu

Foi só por um segundo
Todo o tempo do mundo
E o mundo todo se perdeu

Ficou só você e eu
Quando você me viu



Escrito por amita às 09h48
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A forma da música 

 

 “Fechem os olhos e vocês vão ver a música em 8 níveis, como que em camadas, uma sobre a outra, andando pela sala.”,  disse Stockhausen quando esteve aqui em São Paulo em 2001. Se um dos maiores mestres da música contemporânea disse que música tem forma, corpo, ângulos, que se move, então o que eu sempre senti não era somente maluquice minha, né?Tá bom. Ele é bem maluco e genial. Acima de nós todos, meros mortais. E há muitas das músicas que ouço e também vejo, enxergo. Exemplos: “Are You Going With Me” do Pat Metheny (já falei dele aqui), que tem pra mim uma imagem semelhante a do “Bolero” de Ravel , dentre outras. Uma espiral ascendente e infinita. A primeira é flutuante num espaço escuro, noite, feita de fibra óptica transparente, fina porém forte. A segunda é feita de fios de aço, rígidos e contínuos, um clarão, não cede, nem quebra, me amarra. E você? Tem exemplos desse tipo ou acha que eu devia procurar ajuda psicológica imediatamente? bjs _II_

 



Escrito por amita às 15h42
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Nothing but the blues

 

Ainda (sempre) sobre o poder da música, falo da relação com a memória. Eu sempre relaciono as pessoas, os lugares, os momentos da minha vida com música. No news. E hoje, ouvindo o canal especial de blues na rádio UOL com Cream, Robert Johnson, Albert Collins, e mais um bando de preciosos, lembrei dos anos 80, de um pub, o Station Tavern, reduto bluseiro, onde rolava blues ao vivo 7 noites por semana. Era um pub comum, de bairro, cheirava uma mistura de mofo com cigarro com cerveja, e era sensacional, tava sempre lotado porque tinha música da boa, gente da boa, outras coisas da boa tb. Por ser um pub comum pra gente comum, vc só pagava o que bebia, não tinha couvert artístico, que eu pagaria de bom grado porque os caras que tocavam lá eram de cair o queixo. Lá fiz grandes amigos, quase todos músicos, profissionais ou quase, todo mundo duro e tão feliz! E lembro da vez que fui ver o The Black Blokes from the West Indies, uns vizinhos, qdo pela porta da esquina entra ninguém mais que o John Mayall ! O Derek, baixista dos Black Blokes, ficou bege (como diz o Silvio, amigo da Ana) de emoção, sem fala e nem conseguiu dar um toque pros outros da banda.O pub veio abaixo! E no fim daquele set, não é que o John Mayall sobe no “palco” e toca Hideaway, Ramblin’ on My Mind, e outras q não lembro ? Foi brilhante como o sunshine of your love, memorável, ficou aqui guardado. O Station Tavern mudou de dono mas todo mundo torce pra que volte a ser o que foi durante décadas, um pub nothing but the blues. bjs _II_

 



Escrito por amita às 19h42
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Samadhi

 

Sabe quando você fica em estado de graça, naquele torpor delicioso, na continuidade do êxtase? Ë assim que estou hoje. Ainda meio tonta, delirando, viajando no som que me invadiu pelos 7 buracos da minha cabeça ontem à noite. Fico entorpecida, literalmente chapada com música e ontem foi um dos incontáveis momentos de evidência q música e sexo são quase a mesma coisa. Quer ver? Você consegue explicar o que sente quando faz sexo? O mesmo com a música. Nem é coisa que se explique, está além do intelectual. Então faz o seguinte: escolha aí um som que você goste muito (capricha, hein, olha lá o respeito com seus ouvidos!) e deixe-se invadir. Depois passa aqui pra me contar... tenho a ligeira impressão que vc vai concordar comigo .bjs _II_

 



Escrito por amita às 15h34
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