Música – Efeito - Afeto

 

Mesmo que a gente não saiba claramente, quando decide ouvir essa ou aquela música, há um motivo, uma intenção, um desejo por trás disso. Eu acredito profundamente que música e afeto estão ligados, transitam no mesmo ambiente. 

Afeto no sentido técnico é o conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam como emoções, sentimentos e paixões, sempre acompanhados da impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado,de alegria ou tristeza.Semana mega, super, ultra agitada, dentro e fora dessa que vos fala. Então decidi recorrer a sons que me carreguem sem destino certo. De certo só o prazer da felicidade, da profundidade. Cocteau Twins são meus escolhidos por seu poder alucinógeno, transparente e leve, ao mesmo que circunspecto e incisivo, porque usam e abusam de tons maiores e menores, cada qual com sua função. Vale lembrar que esses fenômenos que citei acima oscilam muito, sempre entre pólos opostos, como tudo. Música também é cognitiva, matemática, cálculo. Mas hoje é o afeto que me envolve. Na verdade, é sempre, mas hoje é só ele porque minha cabeça pensou demais, ficou cansada, e ainda bem que chegou o fds  para eu dar folga à minha cognição. bjs_II_ com afeto (não o técnico, o leigo mesmo )

 



Escrito por amita às 17h32
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BLACK IS BEAUTIFUL

 

 

13 de maio, abolição da escravatura, será mesmo? Mas não há como negar a influência MARAVILHOSA  que a África tem na música ocidental desde sempre. E se você é branquela como eu, sabe que a intensidade de melanina é diretamente proporcional à musicalidade, swing, poder de sedução. Posts atrás falei sobre a cor da música, e qual cor  absorve a luz de todas as outras? Entendeu agora a força ? Seria insano listar aqui todos dos negros que habitam minha vida, mas citando alguns poucos, falo do Charlie “Bird” Parker ,que nasceu no mesmo dia que eu, puta reverência; do Pixinguinha, pra quem eu faria centenas de prostrações completas; da Billie, a mulher dos meus sonhos; dos pra sempre comigo Cassiano e Tim Maia coladinhos no Ed Motta; da Aretha Franklin, a real natural woman; do Hendrix, voodoo vindaloo no comments required; do Gil, desde Domingo no Parque até o próximo, mesmo como Ministro; de Paulinho da Viola, o grande mestre zen do samba; de Courtney Pine, por todas as razões musicais e muito pessoais; de Itamar Assumpção, Nego Dito, paulistano como eu; RobertJohnson JLHookerBBKing,  todos juntos; de Bob “Kaya” Marley  porque every little thing is gonna be alright ; de Miles “Always Ahead” Davis...... e interrompo a listinha interminável com Marcos e Paulo César Valle, dupla de bem brancos, um pouco insípidos até, mas que escreveu Black is Beautiful , que chegou na minha vida pela versão da Elis, no início dos 70. E desde então vi que ela  tinha todas as cores, assim como os listados acima, como eu, como você.. bjs_II_ ps: e hj também é aniversário no meu amigo acupunturista lourinho negão Maurício ! beijo Mau!



Escrito por amita às 10h29
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A Música e o Son(h)o

 

Aquela sensação de acordar com uma música, sem saber de onde nem porque. E mesmo q eu tente, ela fica ecoando, a sua presença entra pelos 7 buracos da minha cabeça, e substituir  por outra está além do meu controle.  Bacana quando é um som que eu gosto, que me dá prazer ouvir /t ocar repetidas vezes. (Nem vamos falar o contrário caso você esteja passando por isso. Não quero ser taxada como sádica, perversa). Tem épocas que me (re)apaixono por alguma e, dada a minha visceralidade, tomo ODs homéricas da maravilha que sai pelos meus poros, só tenho ouvidos pra ela.Coisas de paixão. Há dias estou com Entangled  (A Trick of the Tail, Genesis, 1976) loopando sem parar aqui dentro . Gosto do fato de ser inesperadamente acústica, do clima que o Steve Hackett faz com 12 cordas, tudo muito próprio pra falar sobre vigília e armar um cenário onírico. Quase um canção de ninar  que hipnoticamente vai me convencendo a fechar os olhos e não me deixar ser perturbada pelos outros, especialmente por mim mesma e minha cabeça que não pára nunca de pensar. Ao invés disso, me permitir ser invadida por  Morpheu e sair flutuando, voando alto sem emitir som algum. Musicando meu son(h)o. E quando eu ganho altura máxima é por causa da mudança de menor pra maior. E sobre isso tenho que falar muito em breve, porque é muito fascinante, é questão fundamental pra mim. Mas tem que ser numa hora em que eu não esteja tão emaranhada pela falta de horas de sono e some other details.:- ) Bjs _II_ ps: Tem música no seu son(h)o? 

 



Escrito por amita às 14h52
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Tom sobre Tom

Tocar um instrumento é uma experiência que te dá a chance de manusear melodia, harmonia, tempo. Permite uma relação tão íntima com a música que  tem momentos que você mal percebe a diferença entre você e ele, especialmente se for daqueles que se cola no corpo como violão, guitarra, baixo e afins. As cordas vibrando são como seu coração batendo. Pensando nisso, fui rebuscar meus arquivos internos e externos pra postar, e ouvi uma gravação da Joyce com  Toninho Horta (tenho um monte de histórias pra falar sobre ambos, mas fica pro futuro próximo) que explica o momento da descoberta da genialidade do Tom. Ele compunha como quem pinta aquarela, com delicadeza, com detalhe. A partitura dele é sempre ilustrada, pode reparar. Em 1959, Tom escreveu dois temas – Este Seu Olhar e Só em Teus Braços- que carregam a mesma harmonia mas melodias distintas, que conversam, como num jogo de pergunta e resposta, uma no tempo e a outra no contra. Perfeitas pra tocar/cantar em duo, exige concentração total porque é um tal de uma entrar na melodia da outra, como quando se tocam 2 arranjos pra choro, como os que escrevia Ernesto Narazeth. Minha grande companheira pra esses e outros momentos, com quem comecei a entender a intimidade do Tom com as notas, a de um músico com seu instrumento e a grandeza disso tudo, não toca mais por aqui. Alguém se habilita? ;- ) bjs _II_ 



Escrito por amita às 05h43
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Dia das Mothers of Invention

 

Dias atrás descobri porque a banda do Frank Zappa se chamava The Mothers of Invention. Na verdade o nome original da banda, que nasceu em 1964, era The Muthas, termo que o Zappa usava quando queria elogiar muito o trabalho de um músico, como “o cara”, o “fodão” . Usava mutha pra bandas também, e provavelmente pra um monte de outras coisas que ele achasse o máximo. Acontece que mutha é de fato a abreviatura para Mother Fucker. Então Mike Curb, um ex-político da Califórnia que se transformou num verdadeiro manda-chuva da indústria fonográfica, ou seja, um legítimo mother fucker, proibiu o Zappa de chamar sua banda de The Muthas, porque era muito ofensivo, obsceno, sujo – coisa de Americano hipócrita e conservador. Nem preciso dizer que assim que conseguiu se livrar do Curb (em Português literalmente “meio-fio” ), Zappa voltou a se referir à banda como The Muthas, e assim também fizeram os entendidos no the mutha of the muthas . Infelizmente a gente não pode mais ver o Zappa ao vivo. Mas anota aí: a Scrutz,  http://www.scrutinizer.com.br , melhor banda cover do Zappa, faz show na quinta-feira, 13 de maio, no Café Piu-Piu aqui em Sampa . Se você não é daqui, planeje-se!! Já disse uma vez que esses caras também são muthas . Quem avisa amiga é. bjs _II_

 



Escrito por amita às 11h59
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Surpresa #5

 

Gosto de surpresa, de não saber o que vem depois -  mesmo porque, nunca sei mesmo-de me pegar desconcertada com coisas que não imaginava e ter que (re) aprender, usar o que tinha de outro jeito.É impressionante  ver os recursos que a gente tem e simplesmente não usa, um plano B, C, uma carta na manga  que finge não saber, ou esquece, ou não tem a menor intenção de usar porque dá trabalho, exige esforço, porque tem que prestar atenção, se concentrar, ficar alerta. Melhor prever tudo. Como num dia em que eu andava por aquele corredor imenso, azulejado até o teto e que fazia curvas sem fim (que acústica !), quase não chegava do outro lado. Na minha frente um cara apressado, todo certinho, visual certinho, cabelo certinho, barbeado certinho, terno-gravata-camisa engomada-sapato-preto-com-cadarço-de-couro-engraxado certinho,relógio-aliança certinho, andando certinho em linha reta, seguindo as riscas que o rejunte fazia certinho no chão (vai ver era obsessivo-compulsivo, de via fazer tudo certinho na vida, tudo), passo certinho, certinho, 4/4, claro! Alguma dúvida? Quando de repente sai do sax do músico q fazia seu ponto lá às vezes, nada mais nada menos que Take Five. Então imagina só o Mr-Nice-Guy-Seu-Certinho perdendo o passo, tropeçando no ar entre um pé e outro porque não tinha como fazer seu passo certinho, querendo andar no beat  do Take Five. Acho que na cabeça tão certinha dele foi um tal de “o que é isso? Assim não dá pra acompanhar! Ah! Deve ser jazz! Música de maluco, de gente que não consegue se manter no ritmo, que inventa nota e chama de improviso“ Você  também já ouviu esse tipo de atrocidade, né?.Muitas vezes. Mas aí ou você tenta inventar, achar seu passo, seu behind the beat / off beat  nos take five da vida ou fica lá na sua vidinha previsível, certinha, milimetricamente planejada na mais perfeita ordem, onde a maior variação é de 2/4 pra 4/4, um avanço, uma ousadia! A vida é sua, você que sabe. Não vai dizer que eu não avisei, ok? bjs _II_

 

 

E por falar em surpresa, São Paulo anda surpreendendo brilhantemente com suas ações no mundo das artes. A mais recente delas é a inclusão do Brasil no MEMEFEST- Festival de Comunicação Radical da Eslovênia! Isso mesmo. As inscrições vão só até 20 de maio e podem ser feitas no: www.opyo.com/memefest .

Surpresa boa, altamente recomendada e assinada, porque é ouro, prata, e bronze da casa  :-) bjs _II_ 

 

 



Escrito por amita às 07h35
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The Hour Glass

 

Escrever um livro, musicar imagens, são tarefas que exigem muita liberdade, um repertório interno vasto e sem limites, exige também muito talento, muita sensibilidade.Agora quando Virginia Woolf/ Michael Cunningham/ Philip Glass criam juntos...Virginia sempre teve todo o meu respeito e admiração, musicava seus livros já naquela época com escalas atonais, nada de 2/4 , 3/4, Virginia gostava mesmo de 6/8. Em As Horas, 3 tempos num só, 3 vidas numa só. E a trilha do Philip Glass, atemporal, que me move de uma vida para a outra, de um tempo ao outro sem que eu perceba, não há esforço algum. Na repetição das notas, dos compassos, ele toma meus braços, minha cabeça e me conduz numa dança de origem e consequência quase etílicas. Construindo mais personagens, dando volume pro roteiro sem aparecer. Os delírios apaixonadamente lúcidos de Virgínia, estão todos lá, nesse mantra que exime a música de forma, cor, corpo, num mergulho sem ida ou volta. Nesse filme de 3 histórias, a trilha do Philip Glass é o quarto elemento elevado ao cubo. Na trilogia Koyaanisqatsi, Powaqqatsi, Naqoyqatsi, ....quanto dá??? bjs _II_

 



Escrito por amita às 20h52
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Quantas cordas pode ter um violão

 

E como tudo é impermanente......hora de post novo.Desde ontem tenho sido cercada por idéias e fatos que me fazem querer mudar de fronteira, não pensar no inexplicável, no inacreditável por mais que seja óbvio.Desde Tenório Jr a Fito Paez.Então penso no Michael Hedges.

E se vc não o conhece, aqui vai uma chance de aprender que música,como tudo na vida, vai muito além, tanto quanto você quiser ou conseguir. Músico de mão não cheia mas lotada de arpejos e acordes, de melodias coloridas, minimalistas, irretocáveis, de muito mais que 6 ou 7 ou 12 cordas,otimizadas pelo tapping suave e estilingado, agressivamente apaixonado. Não se tratava de um cara comum,linear. Compunha o que tinha dentro de sua cabeça muitas vezes desorganizada na sua ordem particular.E por isso não se continha em tocar um violão apenas por vez. De 1 fazia quantos desejasse, tinha talento pra isso e pra mais.Só o vi uma vez quando esteve aqui justamente no dia do meu aniversário (sincrônico ou o quê?) sem divulgação alguma. Michael Hedges foi embora muito cedo, assim sem avisar, como todo mundo, levado num acidente de carro. Merece texto com mais adjetivos, mas hoje esses me faltam.Sinto muito.Sinto mesmo.bjs_II_

 



Escrito por amita às 09h37
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Impermanência

 

Sala de aula, crianças de 9 anos, aquela puta bagunça normal da idade. Minha professora de Português, “tia” (denominação proveniente do recém chegado método Montessori no Brasil) Maria Helena pede pra que a gente se acalme e leia o que ela acabara de escrever no quadro negro. Não pelo conteúdo mas por ser um fato único,e nos alerta:”Gente, isso NUNCA MAIS vai acontecer, nunca mais vamos viver esse momento. Podemos filmar, fotografar mas vai ser somente reprodução, não o fato propriamente dito. Essa é a nossa única chance”. Naquele instante fiquei pasma, atônita! Fui pra casa muito pensativa, perturbada por aquela verdade absoluta mas sem saber o que fazer com aquilo. Logo depois ganho de presente do meu pai- sempre ele- o All Things Must Pass,  album triplo na versão original, lançado um ano antes.(E olha aí a Sincronicidade já me rondando) Pronto. Definitivamente algumas fichas começaram a cair, entrei em contato com conceitos como Vida, Morte, Karma,Nirvana, e outros que posso comentar em posts futuros. Já contei aqui sobre a minha ligação com George Harrisson, pra mim o melhor dos Fab4. E esse disco foi o turning point onde ele escancara seu coração e sua criatividade, contando com auxílio de amigos como Clapton, Billy Preston, Peter Frampton (‘I want you..show me the way” é esse mesmo que vc está pensando), Ringo,Klaus Voorman. Faixas como What Is Life? Isn’t it a Pity? I’d Have you Anytime, Awaiting On You All, Beware of Darkness  fazem parte de mim desde aquele dia. Mas há duas em especial que de tão assimiladas, tão simbiotizadas, são como se eu mesma tivesse escrito, traduzem perfeitamente o que eu gostaria de dizer e não consigo. Por isso fazem do playlist do meu funeral: My Sweet Lord e All Things Must Pass. É, vai ter música sim, e peço para quem ficar por aqui que se encarregue de tocar a trilha sonora. Essas são apenas duas. E de tempos em tempos posso citar outras, assim todo mundo fica avisado, pois a gente nunca sabe o que vai acontecer quando terminar de escrever o post, por exemplo, já que verdadeiramente tudo é Impermanente.bjs _II_  ps: se não der tempo de contar as outras, fica a critério de vcs, _II_

 



Escrito por amita às 23h18
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