Receita para uma boa segunda-feira....

 

Segundona sensacional essa!! Por que? Primeiro, porque não tem motivo pra não ser, porque o dia certo pra ser feliz é hoje. Segundo, porque dormi de alma lavada ontem depois de assistir no Caretas (www.caretas.com.br) uma banda genial, Intergalize, tocando funk jazz com muita atitude. Palco reduzido pra 8 caras que chegaram destruindo, arrasando, quebrando tudo. com repertório brilhantemente escolhido recheado de música quente derretida, influências de Miles, Herbie Hancock, Stanley Clarke, Jeff Beck, Banda Black Rio, Jorge Benjor. Trio Mocotó e por aí vai. A metaleira na comissão de frente em 4 com direito a sax(es),trombone, trompete, flauta, percussão no cantinho tímida mas eficiente, batera escondido debaixo da escada - o que prejudicou a performance porque provavelmente o retorno dele era menos 10, manja, difícil tocar assim. Atrás do time do metal, guitarra excelente, econômica até, tenho certeza que o cara toca bem mais do que mostrou, mas era som de banda unida, nada de um brilhar mais que o outro. Mesmo assim, quem não sai da minha cabeça, fica aqui ecoando no peito é aquele baixista, que eu vi pouco porque ele estava atrás de todo mundo, não é exatamente um cara alto e eu, muito menos..rsrs mas o som que ele fazia passava por cima de qualquer um! Ele sabe tudo, muito habilidoso e com uma relação às vezes simbiótica com o baixo, me fez lembrar muito muito do Jaco  (quem me conhece sabe que pra mim Jaco Pastorius é sinônimo de músico acima de qq suspeita. Leia lá no post publicado em 17.03 no blog do Babu (www.babu.zip.net )pra entender melhor)  possivelmente fonte de onde ele bebe muito - Peço desculpa, não consegui ouvir o nome dele na hora da apresentação da banda nem quis esperar pra contatar quem pudesse me dar mais dados por causa da minha urgência de contar aqui) - vê-se que o menino tem futuro, desenha lindamente nas 5 cordas do braço, estilinga na medida, tem controle de tempo, toca leve,sorrindo, displicentemente porque sente, muito além do que sabe, exatamente o que está fazendo. Um time de caras bem jovens, que curtem música boa, tocam com muita competência, provocam sensações maravilhosas. Fiquei de boca e ouvidos bem abertos, repetindo mil vezes “PQP como tocam!”. Impossível não dançar, mesmo que seja só dentro de você devido a timidez ou falta de espaço pra se mexer. Dá gosto de ver e ouvir, e tem muita gente boa fazendo som de verdade por aí. Cabe a você sair caçando e vai encontrar diamantes. Então não fica aí parado não! Como disse o Zé do café outro dia, aqui no Vindaloo é assim: se já ouviu, ouça novamente, se ainda não, procure ouvir o quanto antes! E faça isso todos os dias, garantia de boas segundas, terças, quartas..... bjs  _II_  



Escrito por amita às 10h23
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That's the way I do it

Noite passada sonhei com ele, e meus sonhos permanecem em mim durante um certo tempo pelo dia, como que me acompanham, num mecanismo que eu chamo de lycra effect do inconsciente, o desejo de fazer perdurar o que não se efetivou na consciência, e trazer o protagonista do onírico ao mundano. Sonhei com ele porque temos algumas muitas coisas em comum: somos ambos ocidentais- nessa vida pelo menos- de alma oriental, cuja influência da Índia, não só mas também na música, é inegável e ultrapassa qualquer racionalização. Ele também vê a música como um instrumento que relaciona pessoas, mundos, que faz a ponte entre o Eu e o Nada, o Ser e o Tempo, enfim uma visão fenomenológica. Ao longo da vida, foi decantando o que ouvia, via, sentia, usando seus próprios filtros, suas lentes, fazendo seu próprio curry. Ë isso! A música/vida desse cara é como curry: e curry bom não se compra em gôndola de supermercado em potinhos fechados da Sharwoods. Curry de verdade cada um faz o seu, seja ele korma, madras ou vindaloo. O dele é vindaloo, mais um ponto em comum e ele deve ser um cara feliz porque até o nome dele ri:John McLaughlin. Um mundo dentro de outro mundo, imersos em música grande, Maha música, que ele escreve e toca de um jeito que é só dele, como no DVD que sai no mês que vem. E foi com quem me ensinou a tocar, Paulinho Nogueira, sempre me dizendo “assim é como eu faço, não o jeito certo” que ouvi Lotus Feet, em 1976, e chapei imediatamente. me levou diretamente pra Varanasi, lugar musical sagrado, cidade de Ravi Shankar, que eu ainda não tinha vivido nessa.O disco, Shakti, que em Hindu significa deusa da força e como toda deusa na Índia é chamada também de Ma. John McLaughlin descobre em si novas fontes sonoras o tempo todo. Se eu fizesse uma endoscopia, enxergaria todas as notas, escalas, lá dentro dele, um caso para doutorado em Radiologia. Ele diz que música é como diamante, tem muitas faces, cada uma diferente, mas todas refletindo a mesma luz. Acho que ele tirou essa da minha boca ! Vai ver ele fez uma ressonância magnética em mim enquanto eu dormia e sonhava com ele e extraiu essa frase de mim, tomou emprestado. Sem problema. Foi pra boca certa! bjs_II_



Escrito por amita às 09h07
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Questão de pele

 

Quem é visceral, vindaloo, plural bem possivelmente também é ansioso. Ansiedade é  motor necessário, sinalizador devida, gerador de movimento de dentro pra fora, de fora pra dentro. Mas quando é demais, extrapola, sai pela boca, não dinamiza. Ao contrário, paralisa. Então como fazer pra organizar tudo que se tem dentro, as influências que vêm de todos os cantos deste planeta e além, de maneira inteligível o suficiente para que os outros entendam, ou pelo menos tenham alguma idéia do que se passa em você? Por onde começar, o que postar no blog hoje? Pré-seleção é um processo demorado, meticuloso e acima de tudo repressor. Vou por associação livre e chego nele: Nittin Sawhney. Indiano que cresceu na Inglaterra, escritor, produtor, roteirista, ator e músico, um exemplo de pluralidade, um verdadeiro vindaloo com todos os ingredientes queimando na língua, um cara inclassificável (existe essa palavra?), que desde pequeno teve de enfrentar preconceito e desprezo por ser abrangente demais para os padrões de cultura anglicana mainstream. Além de ter pele marrom chocolate, olhos cor de mel amendoados, o qeu para muitos ainda conta como diferença. Nittin teve um progama de rádio (que depois foi pra tv) , The Secret Asians, onde ele usava os eguinte como vinheta:

From oppression comes expression.

Habilidoso em tudo que põe a mão, reúne todas as suas peculiaridades e ansiosamente transforma em música, mesclando jazz, trip-hop, música clássica, escalas e elementos da música Indiana, drum’n’bass, tabla, cítara, violoncelo, guitarra,falando sobre energia nuclear, política de desarmamento, amor, racismo, sexo, morte. É impossível não se  “atrapalhar” no som que ele produz, com muito compromisso, como se fosse o último e único segundo da vida. Nisso Nittin é como eu: não deixa nada pra amanhã, vive com urgência e sabe que qualquer relação não se trata de uma questão de pele meramente. Vai bem além disso.bjs _II_

 



Escrito por amita às 08h00
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Um dos Dois Lados
Hoje eu estou outono, pra dentro,assim, conversando com a alma, em ritmo mais lento. Meu lado de fora mostra uma versão resumida de mim.Boa oportunidade de falar sobe Roberta Joan Anderson, Joni Mitchell.Essa mulher tem um capacidade de insight musical impressionante e claro, foi essa a primeira característica que fez com que eu me apaixonasse perdidamente por ela. Amor profundo e antigo esse meu pela Joni, que já escreveu a maioria das canções que eu gostaria de ter feito. Desde como ela canta – mais uma branquela de voz não treinada e cheia de feeling- até as afinações, de um jeito muito especial. E aqui eu explico o porquê disso- para os que não tocam (ainda?) e para os que estão aprendendo mas ainda não chegaram nesse ponto. A afinação de um violão comum, de 6 cordas, sempre segue a mesma ordem, (de baixo para cima: E ( mi), B (si),G (sol) , D (ré), A (lá), E (mi- esse aqui mais grave q o primeiro, por isso a corda é mais grossa) A Joni normalmente não segue essa afinação. Outros músicos também – por exemplo, Michael Hedges que já citei aqui, André Geraissati ,que ainda não citei mas vou pr o cara é o cara, sabe.E foi tirando canções de Joni que entendi essa possibilidade pra mim desconhecida. Eu devia ter uns 12 anos quando ouvi o Clouds (1969), um trabalho todo pra dentro, todo introspectivo, seqüências de acordes totalmente inesperados repletas de segredos e esconderijos, pra época então uma mega novidade no mundo pop.Letras com tons menores, dissonantes, alguns  maiores. Mas por mais que eu fale dela, nem chegaria perto. Sou fã confessa, de assinar e participar de lista de discussão na internet, de chegar ao cúmulo de participar de comissão de formatura pra garantir que tocasse Joni Mitchell na cerimônia (vê se pode uma coisa dessa! lembra disso, Zantwyk?), posso beber “a case of her” e não canso, nem fico de porre. Então peço pra você esperar e numa outra hora em que eu esteja mais pra fora, mais Both Sides (Now), continuo contando sobre a Joni. Pode me cobrar, mas I Think (You) Understand. Enquanto isso, procure ouvir a Joni e assim você vai me conhecer bem melhor.
 bjs _II_ 

 



Escrito por amita às 10h42
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De músico e louco.........

 

...todo mundo tem um pouco.Dois assuntos que mexem comigo. A questão da loucura é ampla demais, ameaçadora demais e por isso é (re)negada, expulsa da rotina dos “comuns” (como decido aqui chamar pra não me aprofundar em tecniquês).

A música é expressão do que se tem e do que se falta, a loucura também. Todo mundo é um ser faltante. E quando a música se encaixa gostoso, direitinho no que se tem e no que se falta, é de pirar, é como surto psicótico do qual ninguém quer voltar, muito evidentemente. Quando ouço um som (ou toco) sinto um transporte imediato da minha alma pra um lugar onde só existem eu e a música. É como um transe, uma trip, um surto, coisas semelhantes. Às vezes um sentimento quase hipnótico, de ausência de absolutamente tudo e todos em volta, uma relação em corredor.Estamos lá só eu e ela, e se o mundo acabar naquela hora, será perfeito porque nada é mais importante, aliás, nada É além. É assim que se sente quem tem música nas veias, na bile, no plasma. Muito fácil identificar o grau altíssimo de toxicidade dessa droga do bem que opera em função do desejo e da angústia, ingredientes básicos pra loucura, pra vida. E claro, para cada nível um diagnóstico diferente. Música boa é um incômodo, perturba, e é nisso que eu percebo o seu preciosismo. Música que não toca, não brinca (play é verbo forte), easy-listening - como assim easy-listening? Se é fácil de ouvir, se não exige esforço, dedicação, comprometimento, ‘tô fora!- Se alguma coisa não me modifica, se sou a mesma antes e depois, então pra mim não serve pra nada. Gosto de ser invadida, revirada, questionada, marinada e cozida e comida em Vindaloo, entende, de perder o rumo, o controle. Perder-se de si mesmo é definição de loucura pra alguns...Eu não tenho medo de me perder porque não estou aqui pra encontrar nada.bjs _II_

 



Escrito por amita às 05h40
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Lugar de mulher

Talvez não seja o único motivo, mas eu sei que sempre causei estranheza quando saio falando por aí sobre música. Raramente encontrei outras mulheres que lidam com esse assunto com a minha intenção e entusiasmo. Sei que há dados históricos sobre o pouco-envolvimento de mulheres no mundo da música, desde séculos atrás até bem recentemente.Os tempos mudaram ainda bem, mas mesmo assim ainda são poucas as mulheres que tocam/cantam, montam bandas, entram nas lojas da Teodoro Sampaio sabendo a diferença entre uma guitarra e um baixo, que reconhecem a qualidade de um Martin, que sabem dizer pra que tipo de som serve uma Strato ou uma 335, que operam uma pedaleira, que não sossegam enquanto não tiram aquele acorde maldito, que procuram gravações específicas só por causa de um detalhe na introdução, que vão a um show e efetivamente assistem ao invés de ficar batendo papo (isso me dá uma raiva q nem te conto!),paquerando ou gritando “lindo” e etc. pros músicos, falando sobre as pernas do batera, os braços do guitarrista, a bunda do baixista, etc. Sei como é maravilhoso encontrar gente de qualquer sexo pra falar de música, de instrumentos, de harmonia, de divisão,de solos e bases.Quando isso acontece é uma delícia. Fato é que, apesar do Brasil ser esse paraíso musical, nós meninas, ainda somos minoria na música. Das profissionais de notas e acordes daqui, uma com quem mais me identifico, que é muito parecida comigo (ok, ela tem olhos verdes e eu não) em sua intimidade com a música, com o violão, de feminilidade suave e firme e inegável influência do jazz é a Joyce, que me encanta, me emociona, alegria até no nome. Joyce sabe tudo, toca barbaridades, compõe, canta, arranja, produz, se mescla perfeitamente e brilha em qualquer lugar, uma diva!Seu mais recente trabalho é de cair o queixo, um banho, onde,junto com seus meninos (Rodolfo Stroeter,Teco Cardoso,Tutty Moreno, Robertinho Silva, Proveta e o Bugge Wesseltoft – um norueguês cujo nome se pronuncia “boogie”!!), Joyce arrasa, pluraliza suas notas e possibilidades como música e como mulher, mostra pro mundo mais uma vez que mulher brasileira é muito boa mesmo, que lugar de mulher é  na música também sim, o que aliás sempre foi bem óbvio pra ela, pra mim, pra Ana, pra......bjs _II_ 

 



Escrito por amita às 19h07
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A Voz da Dona e a Dona da Voz

Meu interesse por voz vem de criança, pelo meu pai. E se houver algo de hereditariedade pelo meu tesão quase insano por música, devo a ele. Eterno (ainda) viajante,  sempre me mostrou que música é também viajar. E falava assim mesmo!  Digo aqui que pais na época da minha infância eram bem ignorantes literalmente quanto a drogas, então viajar pra ele tinha nada a ver com good or bad trip. Enfim, uma das viagens constantes que a gente fazia juntos era ópera, e eu ficava encantada que aquela peça longa, toda orquestrada era pra contar uma história, em geral de amor. Que sensacional!! O que me deixava hipnotizada era a interpretação. Comecei a notar que cantar bem era passar pra fora o que havia por dentro, quase que um strip-tease da alma. E é isso mesmo. Hoje, passados alguns Agostos, não tenho a menor dúvida. Paralelamente ao prazer de tocar, tenho esse, de me despir pela voz. De início não me achava capaz, tímida que sou (pra algumas coisas). Quando se toca, a auto-exposição é menor, o instrumento funciona como um escudo, uma ponte entre você e o mundo. Com a voz não acontece isso. Através dela a gente se escancara, se delata, mostra quem é. Não dá pra dissimular, mesmo com treino e técnica. Aliás já comentei que pros meus ouvidos lindos - lindos sim porque são a melhor parte de mim- técnica não é muito relevante se não vier acompanhada de uma porção de paixão, alguns drinks de angústia e de sobremesa muito sexo, com 2 colheres pra dividir. PF pra alma. E minha receita pra esse prato é adaptação dos que saboreio sempre, que dessa vez não vou listar. Infelizmente estou sem “cozinhar” faz 3 dias. Minha voz foi dar uma voltinha e nem me pediu permissão. Quem sabe ela foi beber a água santa do Ganges, um Jack Daniels with Lemonade no Harlem, uma pint de Guinness em Notting Hill. Ou foi pro primeiro boteco de esquina, e do balcão pediu a estupidamente gelada, mesmo sabendo que não deve, mas veio junto a  pinga com mel pra aveludar a garganta e uma porção de bolinho de bacalhau, que é peixe, tem ômega 3, faz bem pra saúde! Se eu não encontrá-la logo, vou ao Tandoor mesmo, tomo Lassi, peço um Chicken Vindaloo e fico de voz linda de novo. Depois disso, canto pra você. Promessa feita publicamente!! bjs ( bem baixinho pra não forçar) _II_    

 



Escrito por amita às 09h07
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Desarmonizando

 

Estou meio Stravinsky hoje. Não na genialidade, evidentemente, na diversidade.Não sou pássaro de fogo, sou tigre de água, e sou terra também Minha cabeça de um lado pro outro, rodando. É, os afetos oscilam e às vezes muito, na saidinha rápida de um, o outro se aproveita, entra sem pra bater pra marcar presença e território.Uma mistura de silêncio e sons. E entre um vôo e outro fiz escala na Terra dos Pássaros. Aterriso e logo vejo Diana, alegre, quase humana, apesar da tristeza no olhar. Mas como preciso seguir caminho, peço carona ao Manuel, cara cheio de audácia, a quem beijo somente depois, quando ele já tinha partido. Nos encontramos de novo naquela festa em Olinda, organizada por Hermeto e Naná com ajuda do Marçal, que pediu ao  Pat pra trazer o Hancock, Keith Jarrett, Randy Brecker, Steve Rodby e quem mais chegasse pra fazer uma jam básica, com Luizão Maia, Joyce e Milton cantando sob orientação do Maurício Maestro ( mais um Maurício na minha vida!). Lô e Fernando ficaram na esquina, tímidos e durangos que são, mas disseram pro Wagner que estavam lá esperando pela Anginha.Na festa todos os sons ao mesmo tempo, música de primeira. Afinal música feita pelo rei da harmonia, que brinca com as notas como poucos, criando arpejos e acordes raros, dificílimos  de tocar, de acompanhar se você não for muito habilidoso. Dissonância é um dos seus nomes, o outro é Toninho. Se eu pudesse voltar no tempo, teria te beijado.....bjs, direto da horta _II_



Escrito por amita às 08h56
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Tom Maior, Tom Menor, Tom Superior

 

Já comentei aqui que sempre me intrigou a sensação de que, a tonalidade dominante de uma determinada peça/música,  evoca em

mim emoções distintas. E não é só sensação não, é certeza mesmo. Afinal de contas desde antes de nascer tenho música no sangue,

já ouvi de quase tudo ( tudo absoluto não existe), já me expus a diferentes escalas, instrumentos, estilos, enfim, porque música pra

mim não é brincadeira, levo muito a sério. Desde Pitágoras-aquele do teorema,que foi quem descobriu as razões matemáticas por trás do som, percebeu o intervalo de uma oitava, uma quinta, uma quarta , um tom, através do comprimento de onda- sabe-se que há um relação entre o afeto e a música, entre os efeitos que tons maiores ou menores podem causar ou remeter no ouvinte. E isso independe de conhecer música formalmente. Muitos teóricos de diferentes áreas – matemática, física, psicologia- pesquisaram e descreveram esse processo que sempre ficou martelando aqui na minha cabeça e que por vezes me fez passar como maluca ou alguém que insistia em relacionar o que aparentemente não era passível de relação. Mas é fato, cientificamente provado que tons maiores nos levam ou remetem a estados de alegria, vivacidade, agitação,excitação e que tons menores à introspecção, melancolia, nostalgia, recolhimento. Kate Hevner (1909-1981) psicóloga, pesquisou na década de 30 a relação entre música e afeto, aplicando em suas pesquisas o que ela chamou de Mood Wheel – Roda de Humor (humor aqui é o que descrevi como afeto posts atrás) e concluíu que no fim das contas, eu não sou tão maluca assim,que eu até que tenho razão e emoção no link que sempre fiz entre música e afeto, mesmo antes de saber sobre sua pesquisa.Há também relação entre o tempo (beat) e o afeto, mas isso te conto outra vez. Caso você não saiba diferenciar por exemplo um Ré Maior de Menor, deixe aqui seu comentário e pode ser que eu te ajude a decifrar porque você fica feliz quando ouve uma música, ou o contrário disso. bjs _II_  

 



Escrito por amita às 08h53
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Bis !!

 

Inegável. Rola uma coisa muito forte sim, something in the air. Todas as vezes fico super feliz, durante e depois me sinto uma pessoa maior, melhor. Efeito que música ao vivo tem no afeto.Dos tantos e muitos shows que assisti, está na cabeça faz uns dias o Bring On the Night, Sting, 1986, segundo da carreira solo.E esse assisti incontáveis vezes porque junto com o show lançaram o VHS (ainda nada do DVD sair), daí emoção se renova todas as vezes. Esse filme teve a intenção de documentar o trabalho da banda (parte já havia gravado o primeiro solo, Dream of the Blue Turtle,1985),o behind the scenes mesmo, com ensaios, arranjos, set list, num casarão na França. Mas o melhor do filme e do show não é o Sting- até gosto de algumas coisas dele- mas a banda, que é impecável! E que se sobrepõe sem esforço algum ao bonitão-exPolice cuja música tem um ar mais intelectualizado e nem chega perto de Omar Hakim e sua destreza com tempo, baquetas; nem de Kenny Kirkland e seus dedos de ouro, que saiu do jogo aos 43 do primeiro tempo; nem de Branford Marsalis,que brigou com Wynton pra mostrar que podia soprar em qualquer vento, no que estava certo; muito menos de Darryl Jones, que tocou com Miles Davis, por convite-quase-intimação pra por o pé na estrada na semana seguinte do próprio; nem de Janice Pendarvis  e Dollete McDonald  as mais afinadas e versáteis backing vocals que já vi, que cantam em terças, quintas, sábados, domingos. E a cada cena vou entrando na banda, na escolha dos tons, nos descompassos, quando cantam With the Flintstones, no show quando fazem I Burn For You, Down So Long. A banda brilhava demais e nem os ainda existentes fios de cabelo dourados de Sting cabiam lá. Muito menos eu, claro. Se eu fosse roadie, já teria sido bom. bjs_II_

 



Escrito por amita às 07h53
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