My Favorite Things

 

Muita coisa boa se passou na minha cabeça nesses quatro dias de feriado Dentre elas o tema “e se hoje fosse o meu último dia”, que se encontra em estado de total surround por aqui. desde quarta feira, com a entrevista do Moska  pra Patrícia Palumbo no Vozes do Brasil na  Eldorado FM. Peguei justo quando tocava a musica Último Dia (recomendo a leitura dessa letra). E então a Patrícia anuncia a banda, Sacha Amback, meu amigo de adolescência super músico da pesada nos teclados, ninguém menos que Marcos Suzano na percussão / bateria e Nilo Romero no baixo. Fui show e gostei um monte. Moska toca bem, tem presença carismática e dramática de palco. É acima de qualquer coisa um poeta, um letrista de corpo e alma, de sangue quente. Acho suas melodias boas mas muitas vezes têm arranjos não tão nobres, acabam não dando suporte devido às palavras que ele usa pra descrever o que sente que ficam perdidas, boiando escondidas numa num arranjo desarrumado. Porém no show ele fez a Admiração com um arranjo deslumbrante, sensível e forte o suficiente que valorizou cada sílaba da letra que é um desbunde!Ficou outra canção, muitíssimo superior à versão original.O mesmo ocorreria com tantas outras se tivessem  outra direção musical . Como exemplo vou citar apenas uma: Espaço Liso (Fado). Leia as letras do Moska, ouça as canções e depois me conta. Combinado?

Sempre percebi que arranjar é uma tarefa fundamental e presto muita atenção nos caminhos que do arranjador, os instrumentos escolhidos. É muito difícil e delicado arranjar uma peça para que ela fique como merece, tinindo, cheia de glitter, saindo dos instrumentos pelo intérprete, perfumando como incenso de sândalo quem ouvir as notas, acordes. Há mil casos pra eu te contar sobre a diferença que um arranjo de categoria faz numa música. (às vezes, acontece do original ser muito melhor que uma versão posterior, o que é mais triste ainda). Quem está mexendo comigo nesse exato minuto por várias razões e emoções é John Coltrane e o seu escandalosamente memorável, revolucionário, emocionante arranjo para My Favorite Things. Escrita por Rodgers e Hammerstein's para o musical da Broadway, The Sound of Music,1959, e filme com Julie Andrews e Christopher Plummer de 1965. Vi e ouvi o filme muitas vezes, sei da importância que tem. Mas quando dei de frente com a primeira versão de My Favorite Things do John Coltrane (há 18!),  feita em 3 dias em 1960, com Elvin Jones na bateria, Jimmy Garrison no baixo, e Mc Coy TYner no piano, houve um revolução total, completa e absoluta em mim, meu cerebelo teve as funções alteradas, o SNC teve que rapidamente se reorganizar, assim como o sistema metabólico que entrou em colapso porque quem pode metabolizar o que ele faz no sax assim inadvertidamente? Foi uma guinada geral e o abandono definitivo ao melódico e pra lá de comum e careta arranjo cantando docemente pela noviça loirinha.(algo parecido deve ter acontecido com o Jesse e com você também que gosta desse tune) Originalmente uma valsa em e menor (Ré menor) ¾, Coltrane transforma enchendo de vigor, de balanço, de ar, dividindo  pela metade fazendo em 6/8 com nítidas influências da África e claro da Índia. Ele foi amigo e admirador fervoroso do Ravi Shankar, tanto chamou seu filho de Ravi .Os solos rápidos do Coltrane têm estrutura de uma raga, que é parecida um pouquinho parecida com música Ocidental nos quesitos modo e escala, mas muito mais complexa porque envolve notas repetidas ou fora de sequência. Ragas são usadas como bases para improviso para provocar um impacto psicológico inesquecível, monumental, e conseguem! Tanto as ragas quanto Coltrane. O cara desfilava notas e mudava tons como num piscar de olhos. Acontece que quando ouço nem respiro, quanto menos piscar olhos, né Assim começou (e bem) minha paixão pela música do Coltrane, que é one of my favourite things (aqui adiciono o “u” porque é uso autoral, made in the UK), que morreu com 40 anos e se ele soubesse no dia da morte que aquele era o seu último, provavelmente tocaria My Favorite things ou Naima pra se despedir de todos. Se eu soubesse que hoje é meu último dia, ouviria My Favorite Things com você, my favourite. bjs_II_

ps: Outro fato relativo ao surrounding theme foi uma matéria que saiu no caderno Mais ontem: 10 coisas para fazer antes de morrer.Vale a pena ler!

 



Escrito por amita às 09h01
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I Can’t Stop Loving You

 

Diz-se que doenças do fígado têm relação angústia, tristeza. Nesse caso a tristeza é de quem fica. É o meu coração que está despedaçado. Morreu Ray Charles e o que eu sinto agora é uma vontade imensa de cantar Georgia on My Mind, o que quase sempre fiz com lágrimas nos olhos, porque é uma canção que me toca muito,e que hoje faço com mais litros de lágrimas que expressam minha profunda admiração por esse músico fantástico que enxergava som em tudo, revertendo glaucoma em escalas, e voz grave de veludo cristal porque tem mais brilho. Ray Charles é um instituição não da América, do mundo, um cara maior, que atravessa décadas apaixonando quem passar pela sua música. Foi por indicação de um tio, o mesmo que me batizou, que literalmente viu meus primeiros passos antes do resto da família, que me deu flores quando menstruei a primeira vez aos 9 anos, que ouvi Ray Charles com atenção. Tudo porque ele queria que eu tocasse para ele a What’D I Say, de 1959. E sempre que nos víamos eu tocava e ele ficava todo satisfeito de me ouvir também cantando, explicando a letra. E eu, com 7, 8 anos já ouvia Ray Charles e fui me tornando mais compulsiva porque foi Ray que me levou a outros grandes mestres do Soul e daí pro Jazz foi um pulo. Aos 10, eu já estava iniciada.

Ray, você mora no meu coração, nele vai estar sempre. Já estou montando aqui um arquivo especial pra apresentar você aos meus sobrinhos, os de sangue e os de alma. O meu amigo Babu, que me deu a notícia, está também tão consternado, fez um canal na Rádio UOL especial pra te homenagear.Também vai sentir muito a sua falta e tenho certeza, vai fazer com que você seja lembrado sempre. Pode deixar, ele sabe fazer isso muito bem. Although my lover has gone, the magic moonlight will never die. Hit the road to heaven, Ray. Your body is now unchained. Your soul is free. _II_ 

 



Escrito por amita às 17h30
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Nem que eu bebesse o mar

Quando menina, adolescente, não me dizia exatamente alegre, alegrinha do tipo saltitante assim, sou tímida (hoje um pouco menos, claro). Mas a canção Alegre Menina me seduziu de cara, amor à primeira ouvida daquela voz nova, doce, anasalada com swing. Ele chegou assim em mim e não pude resistir. Cara raro, com nome raro e sonoro, Djavan entrou no meu coração, foi me mostrando suas jóias e pedrarias. Tratei de comprar o primeiro trabalho dele, pra me interar – coisa que a gente faz quando se apaixona e quer saber como é o mundo, as idéias do outro-  e daí, pronto, se deu o fato cosumado esplendorosamente, a sua levada toda especial, uma pegada daquele jeito eu ainda na conhecia e adorei, adotei, tomei pra mim.

Talento único com as cordas, com as notas, com os arranjos. Brasilidade presente me contagia quando ouço, toco, canto os tantos sambas dobrados, marcados, com breque, no contra-tempo ( não sou do contra, mas me encanto com contra-tempos por que desviam do comum) . Africalidade ( nem deve exisitir essa palavra, mas se ele inventou Caetanear, posso tentar tb?) nos arranjos, textos sonoros guiados por ritmos delicadamente quentes, punjentes e viris. Contemporaneidade na franca abertura à influência de outros mares, tons e semi-tons., de metais e gaitas e teclados e vozes. Não bastasse tudo isso, além de músico é poeta. também fenomenal com as palavras. Porque as letras que saem dele são feitas de um tipo exclusivo de fonte, nada de Arial, Times e tipos assim  Ele traduz, cria versos de anos luz de alcance, que mexem comigo, reviram minha emoção do avesso, palavras puras maliciosamente lindas, que envolvem qualquer coração, até o seu, caso você não admita. E quando irreparável e perfeitamente acomodadas à harmonia e melodia, são provas da parceria perfeita que ele consegue fazer entre duas vias de expressão que veivem juntas dentro, horas, tudo ali às claras, fazendo tremer minhas cordas vocais que soam iluminadas querendo refletir a luz do meu espectro inundando o que não tem fundo. bjs _II_

ps: a imagem de hoje é contribuição da minha amiga e. , que sabe traduzir as imagens de dentro, aquelas bem lá do fundo, como ninguém !! lv u e.

 



Escrito por amita às 15h54
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Music inside
Folk Songs tem sobrevoado minha cabeça, esperando comando da torre pra pousar na primeira chance de pista livre. Pousa tranqüilamente e se instala no coração.Hora do pouso:05.42 am. Reconhece o terreno, sente-se segura e decide explorar. Ainda é muito cedo, a pouca luz escura permite somente movimentos suaves para não causar muito alarde, muito estrago, não quebrar anda, não fazer muito alarde. Em cada esquina duas, três alternativas, o que gera a angústia presente em toda escolha, optar por uma significa imediatamente não optar por todas as outras. Mas a confiança de seguir a minha intuição velha conhecida de muitas vidas, de ouvir a voz do meu coração, que no fim das contas é  só o que importa, garante minha entrada sem olhar pra trás. A cada nota,e são tantas, todas lindas, descubro véus de cores distintas, absolutamente inebriantes, como vinho de sobremesa, doce, leve, transparências suaves descortinam mundos novos. Fico espantada como tudo isso existe bem aqui dentro e desconheço. Quanto mais fundo vou, mais fundo pareço ter que mergulhar. Um trajeto cheio de surpresas e novidades. De fluidos mornos e gentis. Até que encontro o primeiro solo Jan Garbarek dobrado por Egberto, ambos de mãos dadas com Charlie Haden. O tom, agora é maior, passeia por minhas luas e sóis e estrelas outras. Uma festa na minha floresta secreta florida de lótus e marias-sem-vergonha , entrelaçadas, abraçadas.O medo do desconhecido dá sinais por isso paro, não preciso de pressa, prima pobre, o disfarce da ansiedade, e esta é o medo propriamente dito, que cega e paralisa. Muita calma nessa hora, digo. Respirar agora é fundamental. Respiro fundo, contando: inspira, expira, inspira, expira, exercício de meditação que auxilia a diluição da potência e impedância da adrenalina. menina alegrinha, perturbadora, insegura que é, aplica golpes baixos na serotonina, bela adormecida.mas não por muito tempo. Ainda no caminho de outro solo não sozinho, nunca sozinho, uma clareira espetacular. Que mundão é esse ?!Que poço sem fundo a gente é, não? Os fluidos antes espessos e mais viscosos, vão clareando com o tempo que se abre e inunda de luz e água. Tudo em mim dança, uma dança de rodopios que me deixam tonta e feliz. Entendo tudo, então é isso! O dia começa com a canção de amigos, presentes, ausentes, distantes, todos queridos, amigos desde sempre, amigos recentes, amigo-irmão-de-memória o primeiro responsável por essa viagem, amigos que pousam seus olhos em mim a procura, de si mesmos,de tudo, de nada, de seus próprios sons e solos. Sugestão pra começar, percorrer e terminar todos os seus dias: escute a música do seu coração. Se já ouviu, ouça novamente. Se ainda não, faça o quanto antes. bjs _II_

 



Escrito por amita às 08h20
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Samadhi Tântrico

 

Meu amigo Rodrigo já tinha me dito que era a minha cara, que tinha lembrado de mim quando assistiu e recomendou que eu não perdesse.
Ele tinha razão, como sempre. Não fui antes porque era pra ter ido ontem mesmo, aquilo de que as coisas acontecem quando tem que acontecer, nem antes nem depois, acredito 100% nisso. Mais um domingo que mexeu com meus sentidos e me levou aquele estado de inquietude dessa vez mais interna do que externa. Porque dependendo do som, meu êxtase se espalha por dentro ou se expande para o lado de fora. Ainda sofro aqui o resultado desse movimento que é tão íntimo, tão particular.E por isso mesmo me encontro aqui sentada em frente ao monitor enfrentando dificuldades em passar pra você um pouco desse sentimento, desse estado de samadhi, como diria Cole Porter, Heaven I’m in heaven mas sem vontade de dançar cheek to cheek, porque no samadhi eu me diluo em muitas, me multiplico em tantas, como disse Itamar Assumpção, mais recentemente na voz de Zélia Duncan, eu me transformo em outras. No samadhi a miscigenação é total então não existe mais eu, você, eles.
No lugar há uma força maior, etérea do não-eu, quase a realização da vacuidade,do não-tempo, não-espaço.Um momento de abdução total do corpo, então o clímax
se dá por outras vias. Um samadhi tântrico , inquietude tranqüila e infinita que se expressa com o sorriso que não sai do meu coração, um brilho maior nos meus olhos castanhos cheios de lágrimas de amor, o silêncio das palavras que perdem seu valor, se recolhem até segunda ordem, até um momento similar mas oposto quando quero sair gritando por aí que música é mesmo o máximo,o tesão maior, coloco as vísceras pra fora, pra quem quiser tocar, devorar. Ontem cheguei lá, ainda estou pulsando pois esse samadhi é também vindaloo.
Nos olhos o cenário de ghats, escadarias que beiram o Ganges, onde ocorrem os banhos sagrados e cremações,típicos de cidades como Varanasi. Nos ouvidos tabla, tanpura, sitar, vocais, piano, bandolim, cavaquinho, cuíca, berimbau, repique. No coração tudo isso mais um número sem fim de corpos dançantes brilhantes, dividindo o espaço impecavelmente, fazendo o encontro mais-que-perfeito entre Brasil e Índia. O samadhi de ontem-hoje vem especialmente do espetáculo Samwaad, do Ivaldo Bertazzo, Sesc Belenzinho,direção musical de Madhup Mudgal e co-arranjos do Benjamim Taubkin e Rafael Y Castro. Como diz meu também amigo Zé do Café aqui no Vindaloo é assim: se vc já assistiu, repita a dose. Se ainda não, compre seu ingresso hoje. A trilha está disponível em CD, então ouça e pense em mim, da mesma forma que pensei em você o tempo todo,inevitável. bjs _II_  

Aviso importante sobre o samadhi da semana passada!! Graças ao Lelo, conseguimos localizar o Intergalize (vide comentários do dia 31.05.2004) já devidamente linkado à nossa família Vindaloo!Lelo, mais uma vez, Namaste  bjs _II_

 



Escrito por amita às 08h26
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Blue Smile

Eu achava que vivia até que ouvi uma música que me atirou no chão: Blue In Green ......um som ardido,um tiro à queima roupa, uma faca muito afiada entrando no meu peito, no corpo todo, um estupro generalizado, me arrepia e me desconcerta todas as vezes, perco o passo, inclino a cabeça até encostar no ombro esquerdo, porque é do lado do coração, e contrair o trapézio de tanta indignação, um jeito de alongar o som que me deixa inconformada, catatônica, encontro das paredes do estômago que colam nas costas, nem respiro pra curtir até o final, até a última gota, o último suspiro, tanto tesão! Como pode improvisar sobre acordes ? O que significam aquelas pausas cheias de suspense........que atrapalham os sentidos, que chegam inadvertidamente e seqüestram a vida por atmos eternos que me marcam pra sempre, me infectam com vírus que provoca a melhor insanidade ? E vem seguida de outra peça,como um after the storm, que traz todos os blues num só, a sensação de felicidade inundada por todas as células, escorrendo por todos os cantos, um sorriso avassalador, um banho de sensibilidade que reanima todos os conceitos, todos os eus.

Abro os olhos e vejo que cheguei perto mas não morri. Quero mais! Sou insaciável, meu nome é Vindaloo. Vindaloo é também o Kind of Blue, que é de 1959. Você tem idéia do que acontecia no mundo na música em 59? A sessão de gravação foi do tipo aperta o play e vai! sem ensaio, Miles e os outros músicos com alto poder de infecção, também ferozes e nocivos, entram no studio e gravam assim, de primeira, sem nem pensar, só sentir. Foi gravado no céu!No mar! Numa ilha paradisíaca!

Miles é pra sempre, pra levar pra ilha, pra sua próxima vida.Tão obrigatório quanto respirar.Tão contagioso quanto sorrir (experimenta aí que você vai ver como eu tenho razão, não é, Camila?) Miles tem muitas faces. Muitos olhos. Pelo menos sete pares deles.Tem split de personalidade, no mínimo 7 delas, todas distintas e igualmente geniais. Ele sabia na carne, nos ossos, que na loucura existe liberdade.E sem a última não existe música de verdade. Música é sinônimo de liberdade, de loucura na essência, no desapego das formas e dos conteúdos. Um cara dessa magnitude, dessa força pode sim fazer da música o que bem entender porque, se tinha alguém que entendia do assunto, era ele, não há quem tenha mais competência. Uma cara livre assim, infinito, atemporal, tem o direito e a propriedade de tocar do jeito que quiser. E tem a manha de te atingir no coração e lá fazer cicatriz escrito Jazz is Miles. Just smile. bjs _II_

 



Escrito por amita às 10h30
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I only have eyes for you- part 1

 

Olhos que me assustaram quando primeiro vi. Olhos que não se esquece nunca mais. Olhos pra começar. Olhos lindos. Olhos vivos.

Olhos atentos. Olhos fechados Olhos abertos.Olhos que tudo vêem. Olhos que tudo ouvem. Olhos silenciosos.Olhos que imaginam.

Olhos que sonham. Olhos rápidos. Olhos que falam. Olhos na luz. Olhos de luz. Olhos de som. Olhos d’água. Olhos de mar. Olhos da noite.

Olhos de meia-noite. Olhos negros dele.Olhos negros meus. Olhos vermelhos. Olhos enormes. Olhos kind of blue.Olhos profundos.

Olhos pulsantes. Olhos fortes. Olhos meus nos olhos seus. Olhos de raio-X. Olhos de alma. Olhos de paixão. Olhos de dor. Olhos maiores.

Olhos de êxtase. Olhos de improviso. Olhos que outro perseguem. Olhos que cavam. Olhos que olhos jovens seduzem. Olhos novos.

Olhos que misturam. Olhos que fermentam. Olhos que brilham pra sempre. Olhos de memória. Olhos de futuro no passado. Olhos do adiante.

Olhos que trazem vida a todos os outros. Olhos que iluminam longe. Olhos que iluminam o infinito. Olhos como faróis de milha.

Olhos de além.Olhos de Miles. bjs nos olhos _II_

 



Escrito por amita às 08h45
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photo by Rico D'Rozario, 1982

Por Entre Milhas

 

“e quem toca com ele se dá bem..já reparou....”  me disse uma vez o Marcelo. Pois é, eu reparei. Mesmo porque tem que ser muito bom mesmo pra tocar com o Miles Davis (cujo post especial ainda vou fazer; coloca aí na lista de pendências). Hoje estou falando do Mike Stern, um guitarrista difícil  de classificar  porque se manda bem no fusion, no rock, no funk, no jazz, tem uma levada com muito swing, mão direita com comando de tempo absurdo e da esquerda nem vou falar,é como um carinho com intenção, de verdade, sabe, aquele tipo inconfundível e irresistível de pegada, música afrodisíaca e fálica – e se você toca, sabe do estou falando quando uso esse tipo de adjetivo pra música. Músico super versátil com cara de moleque tímido, que se esconde um pouco atrás da franja crescida, que balança no rosto enquanto ele toca sorrindo, quase sempre de olhos fechados, marcando o tempo com as pernas - um jeito de dançar como andando sem sair do lugar, no beat ou no off– pois é, eu reparei bem, assisti todos os shows aqui em Sampa, observando cada milímetro dos movimentos que ele fazia porque tudo nele é musical. Mike Stern é super mutha e como seu espectro de sons é muito vasto, transita com facilidade em diferentes meios. Sua alma também é assim, um cara generoso, queridinho do Miles, “mano” do Jaco em muitas coisas - se eu bem me lembro a primeira que ouvi e chapei com o Mike foi MoodSwings, UpSide/DownSide, 1986,(seu segundo considerado o primeiro trabalho) escrita por ele com baixo do Jaco, provável motivo da minha aproximação, by the way. E também foi amor à primeira ouvida. Seu som me hipnotiza, me leva embora mesmo. Capaz de turbinar qualquer cérebro, de disparar qualquer coração com condições mínimas de sobrevivência e musicalidade, ele também tem o dom de produzir intervalos físicos no espaço e no tempo, como faz com o Bill Frisell (esse é outro que nem te conto, um monstro!) em All Heart, Play,1999. Disse aí em cima que Mike Stern toca de olhos fechados quase sempre. Deve ser porque quando os olhos fecham, o coração se abre e então sai de dentro dele uma música superior. Esse cara é muito emocional, isso é muito claro para mim.Será que você concorda? bjs _II_ 

 



Escrito por amita às 08h35
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