Music, Me and You All

 

Assim como Charlie Parker e Ingrid Bergman e eu, Michael Jackson também nasceu em 29 de agosto. Desde o início da carreira com os brothers de sangue e de cor, eu já ficava muito tocada com aquela voz tão aguda,limpa e super afinada, aquele jeito de dançar de menino meigo, sorriso brilhante, cabelo, pele, feições, tudo original. Eu me via muito nitidamente naquele cenário que ele dominava com tanta naturalidade pra um menino tão pequeno, criança,  daí eu me sentia representada. Em 73 lançou um hit, Music and Me. Melodia toda romântica, melosa, bobinha, arranjo bem comum, nada demais. Mas como eu entendia aquelas letras, a tônica perfeita no miú-sic, fiquei maravilhada que era uma canção de amor não entre um mano e uma mina , mas  entre ele e a música. Acho que foi ali que me dei conta mais conscientemente da minha relação apaixonada. Tudo muito lírico e imenso naquele sentimento que ele cantava e que eu (re)conhecia, do qual não sabia falar. Do refúgio nas notas, dos cantinhos como esconderijos onde ela me abrigava do mundo grande, da intimidade de mão dupla tão fina e delicada que eu tinha com ela, ele traduziu de jeito simples. Eu,uma menina, vagava por dentro dos meus caminhos bastante embaralhados entre princípios do prazer e da realidade, mais tímida e frágil do que hoje porque a kilometragem cronológica ensina um monte de coisas muito boas, ou você não se gosta hoje mais do que há alguns anos? Uma delas é a segurança de saber que há coisas com as quais eu não sei lidar, tenho dificuldade, medo, vergonha. Outras que eu mando muito bem, que entendo e defendo de voz alta em acorde maior puro, olhos sem piscar. Então sei direitinho da intensidade com que a música me acompanha na vida, porque nela sou maior e mais forte, ela me olha e me vê com transparência de quem me sabe pelo avesso, dela tenho o colo, o ombro, o abraço, o beijo, a bronca, o puxão de orelha, o tapa na bunda, quando precisa. Minha amiga, extensão de quem existe em mim, meu melhor pedaço, minha amiga do peito, que torce por mim, me empurra pra frente.

Amigo de verdade é assim. Não poder comemorar meu aniversário comigo não é absolutamente sinal de pouca amizade ! No domingo a música estava lá, em mim, no som especialmente sensacional dos meninos do Intergalize que me deixou muito feliz e lisonjeada, conseqüentemente você também estava. Você é como ela. Parte de mim. Sou sua (segunda e terceira pessoas) amiga fiel , não fiz plástica pra parecer ser quem não sou, não me desestruturei emocionalmente por qualquer muzak adolescente bonitinha que aparecesse na minha porta e assim maculando a minha carreira, jogando no lixo o respeito que ela merece e teve sempre por mim.

O Michael, infelizmente, parece que não agüentou, não conseguiu tomar vantagem da idade, brigou com o Tempo, imagina, logo com ele,  o Invencível, maldisse o Ben, se enfeitiçou com Don’t Stop Till You Get Enough, deu um Beat It pra realidade, mandou o Lima pra quem acreditou em I Never Can Say Goodbye, tratou seu fã como Billie Jean, just a girl, largou a gente sozinha na pista esperando ele dizer I Wanna Rock with You, não deu a mínima pro The Way He Makes Me Feel, fez cara de really really  Bad. Não julgo, não sei o que de verdade acontece com ele. Muita especulação da mídia e tal. Ele é o show man, nem dá pra negar, tamanha influência até agora. Gosto um monte do que tenho na minha elephant memory , do histórico. Se no coração ainda tiver a versão original do Music and Me, quem sabe ele recobra a felicidade e se liberta desse conceito de que a vida é Black or White e percebe que de fato ser feliz é as easy as ABC. No meu pulsante aqui tá tatuado  we’re as close as two friends can be, como eu e você, sempre pertinho. bjs_II_  olha só que show o Fender dele na foto da capa original J

 



Escrito por amita às 20h10
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 My Birthday's Concert

 

Quando em 01.12.1981 Jaco fez 30 anos, resolveu promover sua própria festa surpresa chamando uns amigos, gente que fala a mesma língua que ele como Mike Brecker, Don Alias, Peter Erskine, Bob Mintzer e outros, pra fazer um som num bar. Como não pode convidar todo mundo, deu pra gente de presente 11 faixas no seu  The Birthday Concert, mais um daqueles must hear. De cara abre com Soul Intro anunciando que aniversário / idade é coisa da alma, do espírito, não do corpo, e qualquer espírito que tenha o mínimo de qualidade não consegue disfarçar o movimento interno que a Soul Intro seguida de The Chicken provocam. Funcionam como ímã pros ouvidos que, conseqüentemente, pulsam junto com os pés marcando no chão as batidas do tal músculo do lado esquerdo que, naquele instante, passa a ter movimentos voluntários controlados pelo ritmo. Na minha mais recente vistoria pela Teodoro, entro numa loja de instrumentos que em geral nem visito, mas eles resolveram virar umas caixas pra rua e tava rolando que som? Impensável resistir, impossível ignorar. Faixa 2 traz Continuum, sobre a qual já te contei lá no blog do Babu ( http://babu.zip.net ,17.03.2004). Segue com Invitation, explícito desejo de ter todo mundo junto comemorando a data. Enfim, todas as faixas têm uma mensagem que só a música sabe carregar multiplicando e distribuindo por igual para quem quiser.

Tenho mil outras coisas pra te falar sobre o a personificação do baixo, Jaco, que me arrepia hoje igualzinho como fez naquela minha primeira vez em 80, esse cara tem poder de me desatinar. Mas arranjei um jeito de contar mais um monte de coisas boas aproveitando a idéia do mestre, já que é meu aniversário no domingo agora, dia 29 de agosto. Quando eu fiz 30 alguns de vocês já estavam na minha vida e até passaram a data comigo. Não teve som ao vivo. Agora vai ter! E a gente vai poder comemorar junto ouvindo a melhor banda de funk jazz soul groove que eu conheço e pra quem sempre rasgo seda pura ( vide post do dia 31.05.2004), o Intergalize (http://www.geocities.com/tergalepenteado/Intergalize.html ) que por força  e graça da sincronicidade já ia mesmo tocar lá no Caretas. Além de sons do Jaco, reinterpretados brilhantemente pelo baixista da banda, o Danilo  (meu, esse cara tem futuro, tem presente, com o grupo Choro Elétrico 4x0 é finalista do Prêmio Visa logo mais no dia 16.09 ), com a participação luxuosa e pontual do Fernando  e sua guitarra esperta, mais o naipe de sopros com os Marcelos, e brothers, que tiram o fôlego  até de atleta olímpico em resistência pulmonar, a marcação aparecida do mesmo que escondido debaixo da escada Cléber, a percussão suingada do Chiquinho e a nova aquisição intergalítica,o Guilherme nas teclas,  eles tocam Miles, Maceo Parker,Zappa, Weather Report, Banda Black Rio e outros feras, ou seja, som do tipo Vindaloo, pra atrapalhar  por dentro, por fora, perfeito pra mim especialmente pra comemorar a impermanência de mais um aniversário que vai ficar mais-que-perfeito com você lá.Você me dá a chance de passar mais um contigo, ou o primeiro, e ainda conhecer pessoalmente quem eu só sei no virtual, já pensou;-)  Então tome nota aí:

Bar Caretas: Rua Aspicuelta, 208 Vila Madalena tel: 3814 7581( http://www.caretas.com.br/home/index.php ) O Caretas é um lugar muito bacana, relax, tem música ao vivo muito boa de quinta a domingo, abre às 18.00, o som começa às 19.00 porque no dia seguinte você já sabe,a gente tem que trabalhar, pra comprar os CDs e tudo mais, e tb porque o vizinho pediu....O couvert é R$ 5,00  + R$ 7,00 de consumação mínima após as 20.00. Não dá pra recusar um convite desses, vai...Te espero! bjs_II_

 



Escrito por amita às 00h28
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Firebird

Stravinsky sabia muito e nem sempre foi compreendido na sua louca sabedoria cheia de atrevimento para ir contra,para criar sobre caminhos incomuns, escalas, tempos acordes quase virgens, surpreendentemente chocante,como que preparando nossos ouvidos para outras possibilidades de sons e vibrações desenvolvidas depois por outras mentes geniais, inquietas, ansiosamente curiosas e inconformadas com postulados musicais.Dentre muitos escolho hoje Ligeti que está marcando presença aqui desde domingo quando ouvi trechos de algumas peças intercalando o especial com César Camargo Mariano no Supertônica, programa do Arrigo na Cultura FM.(aliás, um formato de programa bem interessante esse). Entrevistas de rua ao som das notas sincopadas matematicamente repetidas no tempo de Ligeti. Microfone aberto a ouvintes comuns.  Um deles diz: “não sei quem é, mas é música eletrônica”.Que genial esse ouvinte de percepção refinada e imediata, intuição lisa. Ë daqueles que sim, compreende tudo, sente o som, não o pensa, porque é livre e corajoso. E assim a gente deve fazer com nosso pássaro de vento, terra, ar e fogo, a maravilhosa Daiane dos Santos, que é muito maior que qualquer medalha, que ousa ir além e por estar em nível nada ordinário é massacrada pelos medíocres invejosos que depositam no outro a expectativa de trunfos que eles jamais conseguiriam por medo de ultrapassar sua mentes mesquinhas. Muito mais fácil e cômodo dizer : Daiane erra . Stravisnky é louco. Ligeti não faz música. Hoje estou no céu com os vôos sublimes e inalcançáveis dessa ave negra e infalível que pousou por aqui deixando sua música nesse post especial. bjs_II_
ps: até Domingo certamente meu cold turkey vai acabar e quero ver você pra comemorar mais um.stay tuned, I'll let you know :-)
 



Escrito por amita às 06h44
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Cyber Cold Turkey

O ps do post anterior a este teve, como sempre, comentários lindos, super carinhosos, de amigos muitos queridos que me querem tão bem qto eu a eles, que merecem todo o meu respeito e amor, e a quem agradeço de todo meu coração  Então achei melhor tranqüilizar todo mundo explicando rapidamente o que significa Cold Turkey.
Ouvi a expressão pela primeira vez em 1971 por aí, e não fazia a menor idéia do que o  John Lennon estava dizendo naquela canção de letra muito vaga, sem pé nem cabeça pra mim, eu só sabia que Cold Turkey, 1969 *,  nada tinha a ver com peru de Natal, única referência de turkey  que eu tinha além do país que não era o Peru. Mas infelizmente fui compreender o significado quando vi um amigo passar por isso em 78 e te juro, foi muito duro pra mim, fiquei mega estarrecida de ver aquele cara que tinha a minha idade, 16, sofrer tanto pra deixar de tomar pico naquela pele já cheia de hematomas e quelóides que ele mesmo resolveu dar fim 3 anos depois. Cold Turkey é a expressão usada pra descrever a reação física e psicológica de um viciado na retirada, no processo angustiante, pesado e  sofridíssimo de abstinência, em especial  de heroína, quando o sangue se concentra no interior dos órgãos, fazendo com q a pele pareça fria, azulada, arrepiada como a de um peru depenado. É horrível, e se você assistiu Christiane F, Trainspotting e outros, ou teve a tristeza de ver alguém querido passar por isso, sabe do que estou falando. O próprio Lennon disse que escreveu Cold Turkey relatando seu inferno pra largar a heroína porque queria muito ter uma família com sua Japa Girl, Yoko. O processso dele foi devastador, mas não é sempre assim. A retirada de outras drogas como álcool, tranqüilizantes, barbirúticos pode ser bem mais perigosa e ameçadora para vida do que a da heroína. Não estou aqui fazendo apologia ou terrorismo contra as drogas ou algo assim.Você já sabe qual é a única “droga” que entra em mim, e nem estou a fim de falar do Lennon. Isso é papo pra outro dia, certo?
A verdade é que quando a gente encontra essa via que dá acesso a tanta gente vindaloo, que nos alimenta de vida, de questionamentos, de material rico, a gente se vicia muito facilmente. E quanto mais posta, mais quer escrever, uma idéia diferente por segundo, um assunto novo todo dia, a deliciosa expectativa dos comentários. E daí a nossa amiga Anete Bendita resolve mostrar suas armas e falha, falta, aparece quando bem entende, deixa a gente com uma idéia na cabeça e no coração e as mãos inócuas no teclado estéril que não manda mensagem pra ninguém, cega meu monitor que não enxerga o que está acontecendo do outro lado da minha tela. Essa talzinha aí tem me traído, me dado o cano há quase duas semanas, e além de me afastar de vcs, atrasou vários trabalhos por aqui, me forçou a viver esse cold turkey digital, mas espero que eu já tenha passado pelo pior. Não acredito em pecado ou punição, então esse joguinho patético que ela tenta fazer não me destrói, quem vai ganhar a medalha de ouro sou eu e vcs. E essa nefasta e invejosa nem vai passar perto do pódio se continuar com esse approach mesquinho com a gente. Se ela quis aproveitar meu infermo astral , vou deixar claro que seus dias estão contados!!bjs_II
ps1: programa musical cheio de luz pro sábado: show do Kangoma, banda super bacana do meu, do seu, do nosso, mv, na abertura da loja Popygua:Rua Luis Góis, 1591 tel: 5587-2366 às 19.30_
ps2: programa musical cheio de luz pro domingo: show do grande Hamilton de Andrade, lá no Caretas, muito bem retratado com  maetria pela Ana, minha outra metade no http://aquizumba.blog.uol.com.br/


ps3: o Minstério Vindaloo adverte: seja feliz! _II_

* Cold Turkey
John Lennon - 1969

Temperature's rising
Fever is high
Can't see no future
Can't see no sky
My feet are so heavy
So is my head
I wish I was a baby
I wish I was dead
Cold Turkey has got me on the run
Body is aching
Goose-pimple bone
Can't see no body
Leave me alone
My eyes are wide open
Can't get to sleep
One thing I'm sure of
I'm at the deep freeze
Cold Turkey has got me on the run
Cold Turkey has got me on the run
Thirty-six hours
Rolling in pain
Praying to someone
Free me again
Oh I'll be a good boy
Please make me well
I promise you anything
Get me out of this hell
Cold Turkey has got me on the run

 



Escrito por amita às 00h21
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Magic Touch

 

From his fingers straight into my heart. Muito sensível, muito iluminado, muito vasto, Stanley Jordan transcende e  me leva junto em todas as canções que saem das Earnie Ball multiplicadas em muitas pelo seu tapping genial, inconfundível, amoroso. Hoje está menos crítico com a técnica, mais maduro na levada, mais experiente no sorriso, mais amplo na devoção pra quem lhe entrega os ouvidos d coração, mais carinhoso com seus próprios limites, mais generoso com o tempo. Stanley sabe das muitas utilidades que a música tem, ou melhor, de todas. Dentre elas a de curar, de diminuir a  dor psicológica e a física também. Muito envolvido com Musicoterapia (tema que a gente ainda vai conservar, tem tudo a ver comigo afinal, ne) e com o papel espiritual de missionário que um músico pode desempenhar em momentos de angústia e desequilíbrio,até fez um trabalho - já comentei com alguns de vcs - pra poder agüentar um tratamento de canal e o chamou de Relaxing Music for Difficult Situations. Sinto seu comprometimento claramente quando ouço muitas, em especial All the Children, não muito profunda ou complexa melódica e harmonicamente, mas escrita pra me arrepiar, me fazer chorar pelo sim e pelo não, trazendo pra fora o que há de comum na gente, um emaranhado de sentimentos, medos, dramas e soluções simples e maravilhosas com as quais perdemos contato por sermos tão ansiosos e pequenos. Nessa canção retorno da viagem mais leve, mais bonita, mais feliz. Ontem tentei ouvir ao vivo novamente. Mas não foi a minha vez. Foi a de quem precisava mais do que eu, quem não havia tido a chance antes, quem não pode pagar.

Fico feliz por quem conseguiu entrar no SESI. Stanley entrou em mim há quase 20 anos. Não vai sair nunca mais, como tudo que me faz mais feliz. bjs_II_

ps: aproveito pra justificar minha ausência, mas estou num período forçado, um mega cold turkey provocado pela maldita cujo nome nem posso pronunciar. Mas já estou saindo dessa e pra voltar clean, plena e poderosa em brevíssimo!!!!

 



Escrito por amita às 16h48
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