In Finito

 

Chego aqui povoada de sons de dharma , de mantras, versos, e de ecos do silêncio de algumas pessoas que morreram nesses dias, super-homens em seus mundos mais ou menos públicos.

Diz o André Abujamra que o infinito de pé é o numero oito e o Fernando, sempre Sabido, foi no dia exato. Quis morrer ainda aos 80 pra virar eterno direto, levando a bateria completa, pratos de Minas e letras de sempre, pra tocar a marcha dos santos na recepção de Christopher Reeve, chegado de seu vôo mais alto, triunfante e sem escalas.

Mais um desapego, esse rápido, expresso, nem tempo de arranjar cordas e teclas à sua Manieri, desarrumou o coração do irmão companheiro, de voz temporariamente ausente.

Outros tantos de só uma vez, em comum acordo e por livre arbítrio, lá onde o sol nasce. E de lá vem o som do dharma que passeia em mim agora, com nome de Ryuichi Sakamoto, com suas frases delicadas, sutis, perfeitas para as imagens de Bertolucci, iluminando Keanu, harmonizando a budeidade de verdade. De Mr Lawrence a Pu –Yi, de Moresby a Sidharta, esse nipônico plural  me encanta com suas trilhas e tons. que atrevida e certeiramente. invadem  meus sonhos e me impedem de pousar. Onírica também sua intimidade com Morelenbaum, veneração pelo Tom de todos, “brothagem” com Caetano, paixão por Satie. Sakamoto saca tudo, japa de pele e jaqueta amarelas des-orientado, japa de Liberdade irrestrita e sem medida pra escrever, executar, conduzir cabeças de um lado para o outro, como num unir de pontos, sabe que somos todos iguais na diferença, na presença ou negação de tonalidade, nos tempos variáveis e difusos. Música de cerimônia de nascer, de viver, de morrer, de nascer, de viver, de morrer, de nasc..... . bjs_II_

 

ps: musicasemfimnosemfimvidasemfim:   www.paulohartmann.net/2004

 



Escrito por amita às 23h16
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And all you touch and all you see...........

 

Quando ganhei o álbum aos 11 anos, recém lançado, fiquei catatônica começando pelo título The Dark Side of the Moon, muito fora do comum naqueles dias em que questionamentos sobre o Eu e o Tempo eram temas restritos aos acadêmicos, eu nem tinha a menor idéia sobre quem eram Heidegger ou Sartre, a música daqui, e de lá também, tratava basicamente de frivolidades, “ela não me ama, ele não me quer, blah blah blah”.
De prima, ouvir Pink Floyd foi um susto bom que catalisou o reconhecimento de muita coisa que eu sentia. Era como tomar um hipnótico, viagem épica até o centro da minha essência nua e crua de significância ínfima, um encontro atmosférico entre agressividade e angústia, as perguntas de respostas tão cruelmente verdadeiras, um balde de água fria fervendo na vida morna, um soco no cérebro com tanta intensidade que acaba gerando o salto profundo pra cima, como diz o Edson Marques, onde tudo é etéreo,  sofisticadamente simples, pleno, assim, do começo ao fim.

The Dark Side of the Moon é daqueles throughout-life-must-hear, que disseca as idéias, analisa o comprometimento psicológico que varia de acordo com o grau de visão de quem me vê, the lunatic is in my head ou very hard to explain why you're mad, even if you're not mad...,  escancara a punição da diferença, you’ll re-arrange me till I’m sane,  desnuda o só aqui, só agora , live for today, gone tomorrow, nivela tudo pensado particular  after all we’re only ordinary men,  detona modus vivendi  (não só dos ingleses)  hanging out in quiet desperation is the English way, nomeia sordidamente a ganância, money, it’s a hit fonte de ignorância inerente with, without, and who'll deny it's what the fighting's all about?, demole alternativas  but the sun is eclipsed by the moon e desmancha prazeres there is no dark side of the moon really.. O lado que guardo só pra mim ou talvez nem a mim mesma revele, o lado onde eu sou a protagonista sem figurino ou cenário, sem trilha ou luz, roteiro ou direção, onde o argumento é primitivo, matter of fact, it's all dark.

Essas palavras tão minhas na densidade dos detalhes ditas pelo Roger Waters, meu parceiro desde 73, perfeitamente amalgamadas no veículo majestoso, sem igual e inconfundível dos acordes de cordas soltas de textura viajante do David Gilmour , nas batidas do coração e pulso politécnico do Nick Mason, nas teclas cordatas corretas do Rick Wright.
I can't think of anything to say except... I think it's marvelous, que The Dark Side of the Moon define Pink Floyd, e define muitos dos meus lados também. The time is gone, the song/post is over. Thought I'd something more to say.bjs_II_



Escrito por amita às 14h27
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