by Amita

Claro

 

I Can See Now. Fio transparente longo, longuíssimo , que sai da parede anterior do estômago, atravessa canais estreitos, densos
e contínuos, com dobraduras de tule e seda.
I Can See Now. Som espiralado, cheio de ondas, montanha-russa do pensar livre, de ouvidos arregaçados ao avesso, volátil, sem-volta-sem-rumo, anéis de prata trabalhados à mão por joalheiros minuciosos no fazer eterno o segundo interminável , inalcançável.
I Can See Now. Tons de luminosidade fina, feixe de eco em A7+  preenchendo o todo de vacuidade, cheio de nada, repleto de ar.

Leva contigo essa claridade por um instante, por hoje, por quanto quiser.  

I Can Now. Dead Can Dance. It’s crystal clear, dear.

bjs_II_

 



Escrito por amita às 08h39
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by Amita

Misteriosamente

 

“Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria,
que o mundo masculino tudo me daria do que eu quisesse ter.
Que nada! “
  (Gilberto Gil)

 

Feitas de uma força incontestável e misteriosa, de sensibilidade fina e intuitiva, de material altamente reciclável, cheias de entranhas deliciosamente profundas e nem sempre claras até pra nós mesmas, de tons variáveis de acordo com qualquer fenômeno, especialmente interno, inexplicáveis cadências e carências.
Diz-se que somos poucas na música. Assim não é. Música tem alma feminina, envolve e seduz homens ávidos de nos saber por dentro, nos sentir na pele, chance de ser do avesso, de sangrar e dar luz às dissonâncias com liberdade, de reinventar arranjos e escalas.

Minha experiência de vida mais profunda e primitiva vem de dentro da madeira, ressonância do som que me estrutura, que desde antes do tempo me contou que eu sou mulher, fazendo amor em  harmônicos delicados, dedilhando o coração, reinventando posições invertidas, aumentadas.

No ar que eu respiro há tantas outras, todas lindas, que me guiam e inspiram, em quem me vejo e ouço, mesma voz, mesmos dedos, alinhadas musicalmente, afinadíssimas em oitavas múltiplas.

 

No dia internacional da mulher, toco Joyce pra você , uma quase gêmea, muitíssimo representativa no momento, de brasilidade internacional, mulher doce e sábia, timbrada em notas de ouro, evolui num troca-troca generoso com tantos eles e elas que sabem dessa língua, sintonizados na freqüência que não tem gênero nem grau, que é muito superior a homens e mulheres, o bem maior, meu tesouro precioso.

Certamente eu não seria a mulher que sou se não fosse pela música e pelos muitos homens e mulheres que vivem dentro de mim.
bjs_II_

 



Escrito por amita às 08h12
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by erica valente

 

 

Música em gotas

 

Música que vem da veia.

Música gotejando em mim calma e leve.

Gotas de cristal, como beijos de dormir e acordar.

Gotas de inteligência transparente, de vida delicada,

a cada nota mais bonita.

Música que é o fio entre eu e você

Fio de cabelo, fio de nylon, fio de aço, fio de laser.

Diamante puro cortado com a luz do som do mestre Zé Miguel Wisnik

Pra deixar a segunda-feira sem peso nem medida, nada igual a antes.

bjs_II_

 



Escrito por amita às 11h35
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Vou te contar

 

Som do cara que tem poder quase religioso sobre mim, de quem falo, e repito e me atrapalho toda só de pensar em cada nota que ele soa, junto dos sempre também talentosos que marcam de em baixo e teclas e peles e cordas das outras, o que há de mais pra cima, uplifting. 

Som pra contar o vento, concentrar no tempo, consertar o dentro, concertar por dentro, meditar o nada, reviver o todo.

Som grande, imenso, infinito, constante, bem cortado, que faz dançar até natureza morta, centrifuga o espírito, acelera a libido.

Som de sete em seis por oito que são muitos outros, mais eu e você.

Som pra se entregar, não resistir. Som pra ser e estar.

Entre, ouça, curta e o resto fica por sua conta.... 
mas conta direito, é
6/8, ouça compulsivamente, caixas ou fones, no escuro dos olhos, da sala, ouça por fora, ouça por dentro.

E depois me conta se o tempo se perdeu, se perdeu o tempo.

bjs_II_

 



Escrito por amita às 14h11
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